Mandala

Categoria: Termos espirituais

O símbolo da “totalidade” que passou da arte budista para a psicologia

A palavra mandala significa “círculo” em sânscrito, e, no budismo e no hinduísmo, a mandala é usada desde tempos antigos como instrumento de meditação que dá forma visível à estrutura do universo. O que levou Jung a se sentir atraído por essa figura foi uma experiência própria: num período de crise psíquica, ele continuou desenhando figuras circulares sem saber por quê. Jung situou o surgimento independente de composições semelhantes, com um círculo e um centro, em culturas de regiões distantes como manifestação de um arquétipo pertencente ao inconsciente coletivo e considerou que essa composição simboliza a totalidade do “Si-mesmo (Self)”.

Aqui vale fazer uma distinção. As mandalas do budismo e do hinduísmo são instrumentos religiosos que colocam em forma de diagrama a ordem das práticas e a formação do mundo; não foram desenhadas para representar a totalidade da psique. A equação “mandala = totalidade do Si-mesmo” é uma releitura feita por Jung, e é preciso deixar claro que não é isso o que as tradições afirmam. Dito isso, mesmo fora do contexto religioso, a forma de um círculo com centro às vezes desperta uma sensação de ordem e de integração da psique, e, para ler os sonhos, essa releitura é a mais útil.

O que está acontecendo quando aparecem padrões circulares no sonho

Quando, no sonho, formas simétricas com um centro, como um círculo, uma esfera, uma roda, a forma de uma flor, o mostrador de um relógio ou o cruzamento de uma encruzilhada, deixam uma impressão forte, a psicologia junguiana as trata como símbolos semelhantes à mandala. O próprio Jung deixou escrito que figuras desse tipo aparecem nos períodos em que a mente não encontra a sua direção e se dispersa. Ele as leu como expressão da ação da psique que tenta reequilibrar o que se inclinou e entendeu isso como um movimento que estimula a consciência a voltar para a totalidade.

Numa virada da vida, num período em que você já não sabe quem é ou no meio de uma sobrecarga que se prolonga, o sonho às vezes oferece formas assim. Mas esse é um quadro de interpretação preparado por Jung, e não um teste que identifica sintomas. Não leia o sonho como “apareceu um círculo, então a minha mente está prestes a se quebrar”. Se for para levar esse sonho à prática, a pergunta é uma só. Neste momento, o que você vem mantendo afastado da sua vida?

Os prós e os contras da moda das mandalas para colorir

Os livros para colorir com desenhos de mandalas são vendidos como recurso para aliviar o estresse. Muitas pessoas sentem tranquilidade no trabalho de mexer as mãos e preencher as pequenas áreas, e não é preciso negar essa experiência em si. Mas, do ponto de vista da psicologia junguiana, é preciso ter claro que isso é algo diferente daquilo a que Jung dava peso.

Para Jung, o que tinha sentido não era colorir um desenho já pronto, mas o ato de pôr para fora, com as próprias mãos, uma forma que surgiu do próprio interior. Que círculo desenhar, o que colocar no centro, onde haverá uma falha: nem quem desenha consegue prever. Era essa imprevisibilidade que funcionava como parte do processo de individuação. Um desenho criado por outra pessoa não tem essa imprevisibilidade. Com a mandala que aparece no sonho é a mesma coisa: vale a pena lê-la justamente porque não é uma forma dada de fora, e sim uma disposição única montada pelo seu próprio inconsciente. Use o livro de colorir como ferramenta para equilibrar o humor e, quando quiser conhecer o estado da sua psique, aproxime-se mais de desenhar um círculo numa folha em branco, sem decidir nada antes.

O sentido psicológico da mandala incompleta

O círculo que aparece no sonho às vezes não tem uma forma regular: pode estar torto ou ter uma parte faltando. Jung deu grande peso à forma dividida em quatro na composição da mandala (a quaternidade), mas isso não quer dizer que seja doentio não ter as quatro partes completas. Neste site, lemos o círculo com falhas ou distorções como o reflexo de uma integração que ainda está a caminho. Sonhos em que, de quatro quartos, só um tem a porta que não abre, ou em que, de quatro direções, só uma tem o caminho interrompido, assumem essa forma.

O uso dessa leitura não está em identificar o lugar que falta, mas em tomar como pista a sensação que fica depois de acordar. O que você sentiu diante do quarto em que não conseguiu entrar? O que você achava que havia além do caminho interrompido? Ali está escondido o nome do aspecto que você evita encarar. O que o sonho mostra é apenas uma pista, e não algo que dá a resposta definitiva. Também não existe uma regra que diga que você não pode seguir em frente sem sonhar com o círculo completo.

Para quem quase não lembra dos sonhos: Como lembrar melhor dos sonhos

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