Persona
Categoria: Termos da psicologia
O papel da “máscara” necessária à vida social
Na psicologia de Jung, persona é a personalidade externa que mostramos aos outros na vida social. A palavra vem do latim “máscara” e tem origem nas máscaras que os atores da Roma antiga usavam no palco. Em “O eu e o inconsciente” (1928), Jung tratou a persona como um mecanismo que nasce do acordo entre as expectativas da sociedade e o indivíduo. O você do trabalho, o você de casa, o você diante dos amigos: a persona é o rosto social que você usa conforme a situação. A persona é uma função indispensável para a adaptação social e, em si, não é algo ruim. O que Jung via como perigoso não era a máscara em si, mas o estado em que a pessoa se identifica demais com a persona e com quem é de verdade, ou seja, quando ela “não consegue mais tirar a máscara”.
A relação de par com a sombra
A persona e a sombra são dois lados da mesma moeda. Enquanto a persona é “o eu ideal que você quer mostrar à sociedade”, a sombra é “o lado escuro de você que você não quer mostrar à sociedade”. Na sombra de quem sempre encena uma persona alegre e sociável, talvez estejam se acumulando a vontade de ficar sozinho e a irritação com os outros. Entendendo a dinâmica de que, quanto mais espessa fica a persona, mais densa fica também a sombra, você passa a ler com mais clareza o significado das figuras de sombra que aparecem nos sonhos.
Padrões em que a persona aparece nos sonhos
No sonho, a persona pode aparecer como você mesmo de uniforme, como alguém de máscara ou maquiagem, ou como uma cena em que você representa um papel diferente do seu. Se os sonhos com a escola ou com o trabalho se repetem, pode ser sinal de que surgiu uma distância entre o papel social (a persona) e quem você é de verdade. Além disso, sonhar que aparece nu diante das pessoas é interpretado como símbolo do medo de que a persona caia. Na interpretação dos sonhos, ele costuma ser descartado como um “sonho constrangedor”, mas, do ponto de vista de Jung, tem o significado profundo de um “conflito diante de mostrar quem você realmente é”.
Como aproveitar o conceito de persona na interpretação dos sonhos
Conhecer o conceito de persona enriquece a interpretação dos sonhos que se passam em situações sociais. Sonhar com uma entrevista, com uma apresentação ou com uma festa pode ser lido não só pela interpretação superficial de “estar nervoso”, mas como a pergunta “o papel social que estou representando não está forçado demais?”. Quando o equilíbrio entre a persona e quem você é de verdade se desfaz, o sonho mostra essa distância. Ao receber a mensagem do sonho, pergunte a si mesmo: “estou fazendo de fato o que quero fazer agora?” e “não estou me sufocando para corresponder às expectativas dos outros?”.
Três referências para avaliar a espessura da persona
Não é verdade que, quanto mais espessa a persona, pior. As pistas para usar ao interpretar sonhos são os três pontos a seguir.
1. A máscara continua no rosto mesmo fora da situação? Se persiste um estado em que, mesmo em casa, o tom de voz e a postura do trabalho não saem, ou em que você não consegue lembrar o que quer fazer na folga, é sinal de que a persona está funcionando o tempo todo. Nos períodos em que se acumulam sonhos em que você continua de uniforme ou roupa de trabalho e sonhos em que não consegue sair do palco, a leitura fica mais clara se você os comparar com esta referência.
2. Surge uma forte resistência a ser visto como você é em outra situação? Todo mundo tem a sensação de não querer que as pessoas do trabalho conheçam o seu jeito em casa, mas, se isso vier com palpitações ou uma vergonha intensa, é possível que várias personas estejam correndo em paralelo, contradizendo-se entre si. A repetição de sonhos em que você é visto nu pode ser lida como medo de que essa contradição venha à tona.
3. Ao contrário, ela não está fina demais? Jung situou a persona como uma função necessária para a adaptação social. Arrancar a máscara não é o objetivo. Dizer tudo o que pensa do jeito que vem e desgastar as relações, ou não conseguir mudar de registro conforme a situação e acabar exausto, é uma questão do lado de “a persona não se desenvolveu”. Nesse caso, o sonho pode aparecer não como uma cena em que você é encurralado, mas como uma cena em que você fica diante das pessoas sem nada que o proteja.
O tropeço mais comum é pensar no “verdadeiro eu” como um conteúdo único e fixo. No quadro de Jung, a persona também é parte de você, e o objetivo não é descartar a máscara, e sim recuperar a liberdade de colocá-la e tirá-la conforme a situação. Ao interpretar sonhos, perguntar “qual máscara não está mais saindo” leva a cuidados mais concretos.
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