Fuso do sono

Categoria: Termos da ciência do sono

O fuso do sono como guardião da memória

O fuso do sono é gerado no tálamo e disparado em direção ao córtex cerebral. Essa breve rajada de ondas cerebrais tem uma função dupla. Primeiro, bloqueia a entrada de estímulos sensoriais externos e protege o sono. Enquanto os fusos estão ocorrendo, a capacidade de resposta do cérebro aos sons e à luz do mundo exterior cai de forma acentuada. Segundo, favorece a “reativação” (replay), que transfere para o córtex cerebral as memórias guardadas temporariamente no hipocampo. Acredita-se que as informações aprendidas e os acontecimentos vividos durante o dia sejam gravados na memória de longo prazo em sincronia com o surgimento dos fusos.

Como a lembrança dos sonhos desaparece e a relação com os fusos

Há a visão de que a sensação que muita gente tem, a de “sei que sonhei, mas não consigo lembrar”, está relacionada à função de bloqueio de memória dos fusos. Os fusos consolidam as memórias de forma seletiva, mas não guardam todas as informações. O conteúdo do sonho é processado temporariamente no hipocampo, mas, se não for escolhido como alvo da consolidação pelos fusos, considera-se que ele já foi apagado no momento do despertar. Dito de outro modo, o sonho que se consegue lembrar logo depois de acordar pode ser um sonho “importante”, que, por algum motivo, foi escolhido para a consolidação da memória.

A diminuição dos fusos com a idade e a mudança nos sonhos

Com o envelhecimento, a densidade e a amplitude dos fusos do sono diminuem. Esse é um dos motivos pelos quais o sono dos idosos fica mais leve e mais fácil de interromper por estímulos externos. Ao mesmo tempo, a eficiência da consolidação da memória também cai, o que dificulta aprender informações novas. Em relação aos sonhos, a diminuição dos fusos pode ter correlação com a mudança na taxa de recordação dos sonhos. Quando os idosos sentem que “já não sonham como antes”, isso pode ser explicado não pelo fato de não sonharem, mas porque a mudança no processamento da memória pelos fusos dificulta a retenção da lembrança dos sonhos.

Existe uma forma de aumentar os fusos do sono?

O tema ainda está em estudo, mas alguns métodos para aumentar a densidade dos fusos têm sido apontados. Considera-se que o hábito regular de exercícios, sobretudo os aeróbicos, aumenta a densidade dos fusos. Além disso, há relatos de que uma técnica chamada “estimulação auditiva em circuito fechado”, que aplica estímulos sonoros fracos em momentos específicos durante o sono, tem o efeito de reforçar os fusos. Também se relata uma correlação positiva entre o hábito da meditação e a densidade dos fusos. Isso pode contribuir indiretamente para melhorar a memória dos sonhos, mas as diferenças individuais são grandes, e não há garantia de um efeito certo.

Para quem quase não lembra dos sonhos: Como lembrar melhor dos sonhos

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