Melatonina
Categoria: Termos da ciência do sono
A glândula pineal: o órgão que Descartes chamou de “sede da alma”
A glândula pineal, que secreta a melatonina, é um órgão endócrino do tamanho de um grão de arroz localizado no centro do cérebro. O filósofo Descartes, do século XVII, chamou esse órgão de “sede da alma” e o considerou o único lugar que liga a mente ao corpo. Para a ciência atual, o papel da glândula pineal é claro: a informação de luz captada pela retina chega à glândula pineal passando pelo núcleo supraquiasmático e, quando escurece, a enzima de síntese é ativada e a melatonina é liberada no sangue. O pico de secreção costuma ser por volta das 2 às 4 da madrugada, e nesse horário o sono REM também fica mais ativo. Por isso às vezes se supõe uma relação entre a concentração de melatonina e a nitidez dos sonhos, mas isso não é um conhecimento estabelecido.
Os suplementos de melatonina e o fenômeno dos sonhos mais nítidos
Há relatos de que, ao tomar suplementos de melatonina, “os sonhos ficaram nítidos de um jeito incomum” ou “tive pesadelos”. Às vezes isso é explicado pelo efeito da melatonina sobre o sono REM. A melatonina vinda de fora pode induzir o sono REM em momentos diferentes do padrão natural de secreção do corpo, e o resultado pode ser uma experiência onírica mais longa e mais densa que o normal. Diz-se que isso tende a ficar mais evidente com doses altas; para quem mantém um diário de sonhos, há a vantagem de lembrar mais dos sonhos, mas para quem sofre com pesadelos pode ter o efeito contrário. Sobre tomar ou não e sobre a dose, consulte um médico ou um farmacêutico.
O mecanismo pelo qual a luz azul suprime a melatonina
A luz azul emitida por smartphones e computadores (comprimento de onda de 460 a 480 nm) estimula fortemente as células ganglionares da retina que contêm melanopsina e suprime o comando para que a glândula pineal secrete melatonina. Chang e colegas (2015, PNAS) relataram que ler em um leitor de livros digitais com tela luminosa antes de dormir, em comparação com um livro de papel, atrasa o adormecer, suprime a secreção de melatonina e empurra o relógio biológico para mais tarde. Aponta-se que isso não só atrasa o adormecer, mas também pode afetar a lembrança dos sonhos ao mudar a estrutura do sono REM. O modo noturno e os óculos que filtram a luz azul são medidas parciais, mas costuma-se considerar eficaz um detox digital a partir de 1 hora antes de dormir.
A queda da melatonina com a idade e a mudança nos sonhos
Relata-se que a quantidade de melatonina secretada é maior na primeira infância e tende a diminuir com a idade a partir da puberdade. Aponta-se uma relação entre essa queda e a piora da qualidade do sono nos idosos (mais despertares durante a noite e menos sono profundo), e às vezes ela é apresentada como uma das causas da sensação de que “com a idade, parei de sonhar”. Na verdade, acredita-se que a pessoa não deixou de sonhar, mas que, com o sono REM mais curto e fragmentado, há menos oportunidades de fixar os sonhos na memória. Quando idosos usam um diário de sonhos, escurecer por completo o quarto e fazer exercícios leves no fim da tarde, que estimulam a secreção de melatonina, podem ajudar a lembrar mais dos sonhos.
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